Sunday, 7 June 2015

Farto

Das aparências.
Dos paninhos quentes.
Dos que querem ser adultos.
Do instagram.
Da falta de consideração.
Dos que esperam pela opinião dos outros para validar a deles.
Dos que querem ser cool.
Da falta de conteúdo.
Das conversas que não vão a lado nenhum.
Das modas.
Das merdas.

Post escrito e influenciado ao som de:



Friday, 10 April 2015

Sufoco

Os morcegos irrompem a noite, entre os ramos das árvores que voltam a ganhar cor. As noites voltaram a ser quentes. Não o suficiente. 
Olho para o chão lá em baixo. Ao longe oiço sirenes, suspiros de vida e de morte, de paz e de guerra.

Na outra noite inalámos o bafo fedorento da morte enquanto comíamos um gelado. Quase passava despercebido, num canto absorto, abafado pelos rasgos ruidosos dos que nunca dormem e por essa natureza tão abrupta e insignificantemente absoluta que é a humana. 
Não façamos mais por isso, o fim dos tempos já nos habituou à sua presença.

Saturday, 14 February 2015

S. Valentim

Ignorando os materialismos da data, fui tratar de uma coisa material. 
Meti o Bitches Brew nos ouvidos, deixei que o ritmo do diálogo entre os instrumentos comandasse a passada. Nos dias que correm deslocar-me a pé é quase uma ciência desconhecida, mas de vez em quando sabe bem sentir o carácter do pavimento com outra parte do corpo que não o rabo.

Os sítios, as cores, os cheiros, tudo me chegou com mais familiaridade, mais conteúdo, mais vitalidade. Talvez fosse o Miles a fazer das suas nos meus ouvidos, talvez fosse só inspiração de uma manhã de Sábado que começou de maneira diferente. Lembrei-me de várias pessoas com quem gostaria de estar, mandei mensagem a algumas, deixei espaço em aberto para outras.

No regresso, em frente ao meu prédio, dois titãs de tenra idade defrontavam-se num dos pequenos espaços de relva do bairro. Equipados a rigor, com olhar desafiante, determinante. Dois titãs de etnias diferentes, bem representativas do que é a vida suburbana desta cidade, onde ou te adaptas e misturas e pertences ou te distancias e crias uma bolha falsa de identidade que um dia rebenta quando percebes que aquilo que conhecias já mudou tão rapidamente como o vento. 
Lembrou-me as muitas tardes passadas em defrontas semelhantes, naqueles rectângulos de relva mal plantada ao lado do prédio do Snep. Nunca gostei de jogar aos melhores guarda-redes, mas se me perguntassem o que mudava desses anos? Nada.

Post influenciado e escrito ao som de: 
Blacklisted - When People Grow People Go

Saturday, 17 January 2015

Estrada

Hoje de manhã retirei a minha mochila de viagem do canto onde a tenho arrumada (porque vou voltar a usá-la este ano). No interior estavam as calças de ganga que usei durante grande parte dos seis meses que estive "na estrada".


Virei-as do avesso em movimentos bruscos mas eficazes, com a intenção de as lavar. Uma manta de pó ganhou contornos nos raios de sol que timidamente invadiam o quarto. 

Esbocei um sorriso nostálgico e senti aquele trepidar por debaixo da pele.

Tuesday, 6 January 2015

Velho do Restelo

Em tentativa de fazer listas de melhores discos do ano que agora findou, dei comigo a perceber que não houve assim tanta música nova realmente fascinante e que devia olhar mais para o passado e dar chances a coisas que toda a gente venera mas que para mim sempre foi de torcer o nariz.

Olá Beatles (só Sgt. Pepper, não há paciência para tudo), The Velvet Underground e Bob Dylan. Black Sabbath vai-me custar muito pela hedionda voz do Ozzy, mas a ver vamos.

Saturday, 3 January 2015

114

Desta vez não me vou alongar muito em opiniões. No que toca a longas-metragens saídas em 2014, foi um ano fraco. Mas admito também que tenho uma lista de 10+ filmes deste ano que estou à espera que cheguem ao circuito DVD para conseguir ver com qualidade.

Explicando as listas abaixo: Uma lista para filmes anteriores a 2014 que só este ano tive a oportunidade de ver na íntegra pela primeira vez, sem ordem específica (e deixando MUITA coisa de fora); e uma lista para os filmes que realmente saíram/chegaram às salas este ano e valeram mesmo a pena.

Lista pré-2014:
  • The Broken Circle Breakdown (2012)
  • Dallas Buyers Club (2013)
  • Punch-Drunk Love (2002)
  • Seven Samurai (1954)
  • The Seventh Seal (1957)
  • Call Me Kuchu (2012)
  • The Boxer (1997)
  • Watermark (2013)
  • Rear Window (1954)
  • Her (2013)

Lista 2014:
  1. Interstellar - filme do ano. Ponto. Final. Parágrafo. Visto duas vezes no cinema - sim, é assim tão bom.
  2. 12 Years as A Slave - o único desta lista que vi no cinema além do Nº1.
  3. The Wolf of Wall Street
  4. Short Term 12
  5. Grand Budapest Hotel
  6. Gone Girl
  7. The Fault in Our Stars
  8. Boyhood - este vem aqui parar mais por questões técnicas/fora de cena do que pelo produto final em si
  9. Enemy
  10. The Hobbit: The Battle of the Five Armies - só porque continua a ser uma das minhas histórias favoritas e é melhor que o segundo.
Vi menos filmes este ano, mais documentários, mas continuo a ver muita porcaria...mas já percebi que faz parte, e que muitas vezes preciso de um filme light, blockbuster, vazio, para entreter e para não ter que puxar muito pelo cérebro.
Acho que a partir de agora vou manter o número 100 como meta anual...quando comecei a listar filmes no IMDB e a escrever sobre isso aqui a ideia era um filme por dia. Que coisa descabida. Há qualidade suficiente na história do cinema para ocupar o resto da minha vida só a ver filmes, mas a verdade é que há um mundo lá fora e vê-lo com os nossos próprios olhos e fazer os nossos próprios momentos é o objectivo mais valioso que devo tentar alcançar.

Lista completa (mas desordenada) aqui.

Sunday, 28 December 2014

Melhorias: Update


Em Maio deste ano escrevi aqui sobre algumas mudanças - ou melhorias, a meu ver - que estava a implementar no meu estilo de vida, e o que delas estava a advir.


Passados mais de seis meses, e em jeito de revisão anual, achei que estava na altura de recapitular comigo mesmo e apontar ideias sobre o que se tem passado. Assim sendo, aqui vai um update:

Minimalismo nas posses: Mais fácil do que pensava. Quando se tem um estilo de vida acelerado, activo e não co-dependente da aceitação social dos outros acaba-se por não sentir necessidade de consumir objectos, porque não precisamos deles para nos sentirmos melhor.
Toda a roupa ou acessórios que comprei este foram com objectivos específicos (coisas para o ginásio, bicicleta, cozinha), e salvo uma ou duas excepções que não eram assim tão necessárias ou o facto de que ainda tenho que me forçar a mim próprio a não comprar t-shirts de bandas que gosto, acho que é algo já completamente assimilado e que irei aprofundar ainda mais no futuro. Continuo a não contar com os discos de vinil, atenção.

Quase abstenção de álcool: A minha produtividade subiu a pique aos fins-de-semana, poupei muito mais dinheiro por mês e as pessoas mais chegadas acabaram por nem ligar ao fim de um tempo. Consegui provar a mim mesmo que não preciso de substâncias externas para me divertir quando saio à noite, e acabei por equilibrar bastante bem as minhas decisões, sendo que quando me apetece beber uma cidra ou um whisky o faço pelo sabor e não penso sequer no álcool.
Penso que estive visivelmente bêbado umas duas vezes este ano...esta era a média mensal desde o início da minha vida adulta.

#LESSMEATSTILLHAPPY: Provavelmente a mudança mais drástica e mais bem sucedida. Quase metade das minhas refeições são sem carne/peixe, e a maioria dessas são em casa. Em contrapartida tornei-me ainda mais informado em nutrição (o que também tem os seus senãos, pois se fica um bocado mais paranóico em relação a toda a merda que o público comum considera normal) e passei a apreciar melhor os sabores distintos dos vegetais e grãos e todas as alternativas de proteína que se encontram na natureza.

Bicicleta como meio de transporte: Continua a ser o meu meio de transporte quase único (andei de metro/autocarro umas 20 vezes no máximo neste ano, e em algumas delas levava a bicicleta comigo) e cada vez mais vejo como isso afecta a minha predisposição para tudo o que faço fora de casa. Ter um meio pessoal de transporte permite-me a qualquer hora chegar a qualquer lado, ser mais espontâneo e interactivo com as pessoas com quem quero estar, e principalmente sentir-me livre de constrangimentos de tempo. 
Já bati todos os meus recordes pessoais de distância/velocidade, já consegui bater tempos do metro...ter o controlo da nossa deslocação entregue em grande parte a nós próprios dá um gosto especial à deslocação numa cidade que está preparada para ciclistas.


Actividade física: Ginásio em média 4 dias por semana, os resultados que objectivei alcançar ainda não se notam na balança mas notam-se quando olho ao espelho e isso agrada-me. 
O facto de pedalar para todo o lado também complementa e por agora sinto-me bem com a forma como encaixo tudo isto na minha rotina.


Honestidade brutal: Acho que a maioria dos meus colegas de trabalho não acha muita piada quando digo abertamente que me estou a cagar para o mesmo. Acho que os meus amigos não gostam muito quando os chamo à atenção por coisas que antes fingia que não me incomodavam. Ou seja, o mesmo de antes: de paninhos quentes, sorrisos amarelos e mentiras brancas está o inferno cheio...e nós gostamos disso. É mais fácil e confortável e politicamente correcto, mesmo quando não queremos ser.
E depois há o problema de quando faço questões muito incisivas, ou digo algo mais descabido/irreflectido...o burro sou sempre eu. Mas hey, esta coisa das mudanças diz-me respeito a mim, portanto os outros que lidem com isso, ou não.

Aprender uma nova língua: Aqui fracassei por completo. Não retomei com o Alemão e comecei também a questionar a utilidade da língua a longo prazo...mas ainda consigo dizer algumas coisas básicas, o que poderá vir a ser útil. Acho que marcar uma viagem para a Alemanha/Áustria para o ano (Berlim de novo?) me irá ajudar a retomar o ímpeto de aprender.

Tirar mais partido da oferta cultural da cidade: No outro dia estava a tentar recapitular e fazer um top 5 dos melhores concertos que vi este ano...não consegui lembrar-me de todos. Acho que isto diz tudo.
Para o ano no entanto quero abrandar na música ao vivo e absorver mais das outras artes e outros eventos (festivais de cinema, por exemplo).

Reduzir o tempo nas redes sociais: Gradualmente a melhorar, mas ainda não posso dizer que tenha sequer conseguido metade do meu objectivo inicial, por isso foi meio falhanço. Ter que fazer campanhas de redes sociais como parte do trabalho da editora não ajuda, mas também sei que uso isso como desculpa. A longo prazo acho que só irei atingir esta meta com mais tempo fora de casa e longe do telemóvel - ou seja, a fazer coisas que requerem a minha atenção total, com pessoas que importam. Não será assim tão difícil, certo?