Friday, 20 December 2013

Confissões #01

Vou ser sincero, tenho pena das pessoas cujo álbum de fotografias nas redes sociais inclui apenas "selfies". Faz-me pensar o quão sozinhas e carentes de atenção se devem sentir.

Monday, 16 December 2013

Running #10


Vórtice


Está vários anos à minha frente, mas sou eu que lhe falo do futuro.
Já não me lembro bem de como aconteceu, já não acho que isso importe. O momento é tudo.Se é real? Não sei. O que sinto? Não sei. Se o real é apenas a minha interpretação, então o que sinto não vai além da minha percepção.
O momento é real.

É quando os olhos se fecham que nos encontramos, na ilusão daquilo que poderá um dia ser. Mas não tenho fechado muito os olhos ultimamente, em parte por influência sua. Prioridades trocadas, necessidades redireccionadas, coisas nunca faladas. Irónico, no mínimo, tal como a vida.

O momento é tudo, porque comunicamos num vórtice temporal. Não existe passado, não existe futuro, apenas o presente. Depende de nós usar o passado para tornar o futuro em presente. Até lá contento-me com o real. Fecho os olhos.

"Illusion is the first of all pleasures."

Tuesday, 10 December 2013

Centrifugação


Ciclo rápido, em sintonia com os tempos e a minha paciência para o corriqueiro e estritamente necessário.
A máquina começa, mas na verdade nunca parou. Pelo menos não por estes lados, onde o progresso comanda o ritmo dos Homens.
Steinbeck faz-me companhia. Ele entende de ventos de mudança, mas os meus olhos divagam.
O som atrai-me o pensamento, e por consequência volto a pensar na máquina. 
Hipnotizante, continua a comandar ao som do seu tambor. É visceral. Olhando de perto dá para constatar o quão eficaz é a remover pedaços de História. Mais que não seja, limpa-nos da responsabilidade de ter que pensar nas consequências. Se errar é humano, então estamos a perder essa qualidade. Ciclo após ciclo, click após click, undo, delete, escape.

E eis que entra o grande final apoteótico, o meu favorito. Um turbilhão de caos e confusão. Existe a tensão, existe a possibilidade do desastre...mas não, é um final encenado, controlado, calculista, mecânico. A máquina sabe o que faz. A nós resta-nos seguir o ciclo, colher os resultados, manter o saco cheio de futilidades mas vazio de emoções, e repetir. O corriqueiro ocupa a cabeça, o coração contenta-se com o ritmo do tambor.